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Arquitetura já é acessível a quem não sabe desenhar

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Já se foi o tempo em que só podia cursar Arquitetura e Urbanismo quem soubesse manejar muito bem uma lapiseira e uma caneta de nanquim sobre papel manteiga. Com a profusão de programas que possibilitam fazer desde croquis até simulações em 3D, o mais importante é que o estudante goste de representação gráfica e desenho geométrico, mais até do que desenhar.

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– Diria que toda a minha formação, há 30 anos, foi na prancheta. Era um trabalho artesanal. Alguns alunos já me disseram que, se fosse necessário ter essa capacidade de desenho, eles não seriam arquitetos – conta o professor Gerônimo Leitão, diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF.

A representação gráfica digital se tornou, inclusive, uma área de atuação para arquitetos formados, explica Leitão. No entanto, com o aquecimento da economia e a volta de grandes empreendimentos, a construção civil é a principal fonte de empregos no setor, seja na área pública ou na privada.

– Há uma forte demanda por estagiários, em escritórios ou em empresas públicas. São muitos pedidos que eu recebo. E a grande maioria dos formados consegue emprego na área – afirma o professor.

Apesar de o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) definir exatamente quais sãos as atribuições de uma e outra carreira, muitas vezes há atividades em que elas se misturam. Instalações elétricas, hidráulicas e topologia fazem parte também da formação dos arquitetos. Para o diretor, “não basta apontar na planta onde vai ficar o interruptor”.

Sustentabilidade, palavra da moda, também está presente no curso. Para Leitão, embora esta ainda não seja uma cultura enraizada, os alunos discutem cada vez mais a importância de pensar um projeto desde os materiais até a o descarte deles:

– É preciso projetar e construir com a consciência de que os meios são finitos. Trabalhar com algo que não é renovável, isso tem um impacto no projeto – argumenta.

 

Entre humanas e matemática

Segundo o professor Gerônimo Leitão, o curso é marcado pela interdisciplinaridade: os alunos recebem forte formação na área de humanas, com destaque para sociologia, antropologia e teoria da arquitetura. Esses conhecimentos são a base para a prática do profissional, que inclui domínio de matemática e física. Na UFF, pela própria história do curso, ligado no início à Engenharia, têm destaque as áreas de habitação social, conforto térmico e urbanismo.

 

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